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Hugo Richard

By | ICONIC Talks | One Comment

Hugo Richard é um ilustrador e concept artist absurdamente competente e dedicado que temos a honra de ter por perto em nossas vidas.

Com composições, temas e designs muito originais o trabalho de Hugo é uma grande referência e fonte de inspiração para quem almeja um dia trabalhar com jogos e cinema.

Prepare-se para falar “Caramba!” e aproveite! ♥

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Olá pessoal, meu nome é Hugo Richard, sou ilustrador e concept artist para jogos e animações (filmes) há quase três anos, porém a cada dia me volto mais para o mundo dos jogos que é de fato uma área que quero permanecer.


Qual você considera ser a etapa mais importante de um trabalho – o sketch, a pintura, a história, a quantia de pixels que te fazem escorrer uma lágrima do olho ou outra coisa?

No meu caso, eu descobri que meu processo flui muito mais a partir da linha, então tendo um processo mais linear, o sketch é de fato uma base muito importante para qualquer coisa que eu venha desenvolver. Porém, quando estou fazendo trabalhos pessoais e coisas do tipo, costumo testar outras formas de começar algo, como por exemplo: usar shapes para poder definir algo, ou grandes strokes para definir uma silhueta. Isso depende bastante do momento.

Quais geralmente são os seus passos para a construção de uma ilustração ou concept?

O primeiro passo de todos é bolar a ilustração na mente e anotar pontos importantes que vão deixá-la mais característica. Depois disso, vem a parte de conceituação de thumbnails – nesse processo eu geralmente uso um hardbrush e trabalho com 3 tons diferentes para poder ver melhor a composição e o storytelling da cena.

Segundo passo é a parte de linha e color rough (que para mim é bem divertido). Gosto de perder um tempo desenvolvendo a linha da minha ilustração, pois de fato isso é meu guia para poder finalizá-la. Depois que tenho isso pronto, vou fazer 3 opções coloridas para ver qual me agrada mais, mas às vezes já tenho tudo pronto na mente, então eu vou fazendo e mudando de acordo com o processo.

E por fim, vem o render e efeitos que geralmente tomam bastante tempo. Então eu não me preocupo em terminar logo, mas entregar algo satisfatório tanto para mim quanto para o cliente.


Como você decide qual será a dinâmica da ilustração (composição, movimento, etc.) e como a história que você quer contar influencia nessa decisão?

Como havia dito na questão anterior, eu curto pensar como vai ficar no resultado final (apesar de nunca ficar igual ao que eu imaginei) e, depois disso, ver coisas que me inspiram para poder criar algo que realmente possa chamar a atenção de todos (isso inclui uma imagem com uma boa iluminação, uma cena de filme, uma luta ou coisas do tipo).

Você tem uma dica de ouro para quem busca estudar desenho com mais efetividade?

Nunca achar que você já fez o suficiente, pois certamente você não fez! Ter esse pensamento me ajuda a entender o quanto eu ainda preciso estudar para avançar em algo diferente dos demais artistas. Uma visão única, um estilo único, uma identidade visual que após muito estudo e entendimento eu possa gerar algo diferente.


Quais são as suas principais influências artísticas?

Difícil, eu tenho muitas. Mas posso falar alguns que me vem à cabeça de imediato que são Mike Azevedo, Even Ahmudsen, Rael Lyra, Faraz Shanyar, Alexander Zedig, Victor Quaresma, Sergio Toppi, Jana Schirmer, Giselle Almeida e muitos outros. Hahaha, eu tenho uma pasta de inspiração com todos eles!

Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Não necessariamente, eu acho que sempre quis desenhar. Depois que eu descobri que podia seguir a vida fazendo isso, eu não parei mais. Eu não me lembro de nenhum livro ou filme que tenha me feito pensar de uma maneira diferente. Mas gosto de ver coisas que me motivem a nunca desistir, pois por mais difícil que sejam as coisas para você, vai chegar uma hora em que vai dar certo. Uma frase que eu lembro que me fez mudar o pensamento sobre tudo, e isso me ajudou muito nas horas ruins do artista é que “o problema está mais na sua cabeça do que no seu corpo”, e isso me fez entender muitas das coisas que eu vinha passando no decorrer da minha jornada para se tornar um artista.


Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Muitos de meus amigos falam que os pais não os apoiavam muito, pois pensavam que não iria dar certo e tudo mais. Eu comecei a desenhar mangá aos 14 anos com o apoio dos meus pais, eles não sabiam se iria dar certo ou não, mas mesmo assim me apoiaram. Depois de 4 anos desenhando mangá e desenvolvendo minha própria história, percebi que estava indo por um caminho que nem eu sabia se iria dar certo ou não. Chegou um momento em que depois de muitos momentos difíceis e ruins, eu parei de desenhar mangá e não sabia muito o que fazer, tive que começar a trabalhar para poder ajudar em casa, comprar minhas coisas e ainda estudava no ensino médio. De fato esse foi um momento bem complexo pois eu não sabia por onde seguir.

Depois de um tempo, um grande amigo me mostrou um vídeo da falecida Seagulls Fly onde tinham várias animações e coisas relacionadas a concept art e tudo mais, então eu comecei a me interessar pela parte de criação e tudo mais. Precisei começar a estudar do zero novamente, desde anatomia básica até perspectiva e tudo mais (continuo estudando todas essas coisas), então depois de 1 ano estudando todos os dias sem parar eu comecei a trabalhar no mercado como ilustrador e concept artist.

Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

O problema está mais na sua cabeça do que no seu corpo”


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Hugo lá do começo, qual seria ele?

Acho que seria para ele “pensar menos e fazer mais”. Como artista, eu tinha esse defeito de pensar demais na parte ruim e não acreditar na parte boa das coisas, e dizer que tudo vai dar certo, não importa o quão difícil as coisas vão parecer, hahaha! VAI DAR CERTO!

Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

VAI DAR CERTO!
Parece um bicho de sete cabeças (mas de fato é), porém se você é o tipo de pessoa que não liga muito para o que as pessoas falam e segue seu próprio coração, você está no caminho certo. Se eu cheguei até aqui hoje é porque ouvi eu mesmo dizendo que, mediante à todas as coisas ruins que poderiam vir em minha jornada, eu iria dar um jeito de fazer acontecer.

Então não deixem ninguém desmerecer aquilo que você faz só porque essa pessoa não entende o seu trabalho. Faça o seu melhor e mostre que com muita persistência e força você pode ser alguém muito melhor fazendo o que você curte fazer.


Artstation
www.artstation.com/artist/hugo-richard

DeviantArt
hugo-richard.deviantart.com/

Blogspot
hugorichardart.blogspot.com.br/

Mika Takahashi

By | ICONIC Talks | One Comment

Fazer um trabalho artístico não é só colocar formas em um papel e sabemos disso muito bem, sim, senhor!

É preciso colocar você mesmo no papel. Suas ideias, seu olhar único em relação a vida e a coisas. Isso a extraordinária artista Mika Takahashi faz mais do que bem.

Com seus trabalhos muitas vezes subjetivos e surrealistas ela consegue com muito sucesso nos apresentar seu universo particular e nos dar o prazer de vislumbrar suas atmosferas e ideias.

Aproveitem!

Diga ao mundo quem tu és, nobre aventureira!

Sou alguém que tem desvio de atenção, mas o único momento em que consigo focar em algo é quando estou desenhando. Me formei em Desenho Industrial e atuo na área “criativa” há mais ou menos 6 anos, porém apenas 4 exclusivamente com ilustração (e às vezes animação).


Seu trabalho por muitas vezes trabalha temáticas abstratas e subjetivas – de onde vêm a inspiração para construir essas imagens?

Eu sempre fui uma criança tímida e gostava de brincar sozinha. Meu hobby era ficar olhando o nada e imaginando um milhão de coisas.

Hoje em dia é bastante complicado ficar parado. Estamos sempre com pressa, temos compromissos, prazos, reuniões. Eu não lido muito bem com toda essa velocidade, então em pequenos momentos entre um compromisso e outro ainda tenho o hábito de olhar o vazio e fugir para um mundo onde o tempo é infinito. As imagens que desenho são fragmentos dos lugares imaginários que visito. São como fotografias, sabe?

Cenários simples do cotidiano podem servir como porta para vários outros universos. Como uma plantinha que nasce em uma rachadura no chão de cimento, ou um casal que troca confidências apenas com o olhar, uma poça d’água. Se prestarmos atenção dá para ver muitas histórias acontecendo ao nosso redor.

Foi aí que veio a ideia de embutir o conceito de “mundos paralelos” na própria estrutura narrativa do livro. A mesma história seria contada sob dois pontos de vista (ou mundos) distintos, cabendo ao leitor escolher um deles e ler uma versão diferente da história de acordo com o que escolheu.

Eu acho fantástico como a tecnologia permite reinventar maneiras muito tradicionais de fazer as coisas, como nesse caso de ter uma narrativa “dupla”, então quando tive essa idéia não pensei duas vezes antes de levar à frente.


Cada nova peça sua parece criar um universo próprio! Essa construção de universos é uma intenção consciente ou é apenas uma consequência da obra?

Na maioria das vezes são consequências. A maioria das imagens são reflexos daquilo que me interessa ou do que estou sentindo no momento. Se tento criar algo intencionalmente o resultado sempre me parece falso e isso é um grande problema que tenho que lidar com trabalhos comissionados. Para balancear esse problema procuro sempre estudar a parte mais técnica de desenho e pintura. Acredito que para criar uma imagem boa e significativa é preciso ter um equilíbrio entre domínio técnico e imaginação.

Qual a sua maior preocupação ao criar uma nova peça?

Minha maior preocupação é não ter preocupação. Deixar que a imagem saia naturalmente, me divertir buscando uma composição mais interessante mesmo que seja difícil.

Desenhar e pintar pode ser muito frustrante ainda mais quando se está tentando aplicar algum conceito novo ou saindo da zona de conforto, mas o importante é aprender a valorizar o processo e se divertir.


Você procura manter latente o aspecto experimental em suas novas criações ou você acredita ter encontrado um platô em sua técnica?

Eu detesto fórmulas. Me entedio facilmente quando tenho que fazer a mesma coisa repetidas vezes por isso fico mudando meu jeito de trabalhar o tempo todo mesmo que seja dentro de uma mesma técnica.

Quais são as suas principais influências artísticas?

Dentre os clássicos meus favoritos são Sargent, Monet, Klimt; gravuristas japoneses como Hokusai, Hiroshige e Utagawa Kuniyoshi; autores/ilustradores/quadrinistas como Shaun Tan, James Jean, Oliver Jeffers, Rebecca Dautremer, Shigeru Tamura, Taiyo Matsumoto e Jilliam Tamaki e estúdios de animação/animadores como a Ghibli, Sylvain ChometMichael Dudok de Wit (pela animação “Pai e Filha” especialmente). Esses são apenas alguns nomes, mas tem muito mais gente e vivo descobrindo artistas novos também.


Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Tem vários livros e filmes que mudaram a minha vida em algum momento, não vou conseguir citar todos então vou falar sobre o último livro que me fez mudar minha perspectiva.

“Momo e o Senhor do Tempo” me fez refletir sobre o modo como eu estava gerenciando meu tempo, priorizando trabalho ao invés de relações. É um infanto-juvenil do filósofo Michael Ende.

Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Tive vários momentos difíceis, mas não sei dizer qual foi o pior momento. Tenho crises existenciais desde sempre, mas por sorte tenho família e amigos que me ajudam e apoiam. Com o tempo aprendi a aceitar essas crises como parte do amadurecimento.


Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

“O que vai ter pra janta?”


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para a Mika lá do começo, qual seria ele?

Não se cobre tanto, você é meio esquisitinha e tá tudo bem.


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Não tenha medo de errar a faça bastante desenho feio, uma hora os desenhos bons vão sair.

Tumblr
mika-takahashi.tumblr.com

Instagram
instagram.com/miktakahashi

Behance
behance.net/mikatakaha374f

Fernanda Carvalho

By | ICONIC Talks | One Comment

Independente de você querer ser um ilustrador, animador ou sushiman, todos os marujos de nosso singelo navio tem uma coisa em comum: nós gostamos de escutar e contar boas histórias.

E para se fazer histórias não basta acender uma fogueira e se sentar envolta dela: é preciso que alguém encomende a lenha e chame as pessoas. E quem faz isso geralmente é o(a) produtor(a), como nossa querida Fernanda Carvalho que nos deu a honra de uma rápida conversa!

A Fer foi produtora do filme indicado ao Oscar “O Menino e o Mundo”, além de já ter se envolvido em diversos outros projetos e atualmente trabalhar na Viacom, responsável pelo Comedy Central, Nickelodeon e MTV.

Aproveitem! ♥

Diga ao mundo quem tu és, nobre aventureira!

Fernanda Carvalho, 29 anos, Coordenadora de Produção, amante de animação e aventuras. Gosto de ser surpreendida pela vida e pelos grandes encontros que ela nos proporciona, lidar com fatos de forma realista e simples sem deixar que com isso tudo perca sua magia.


O que faz exatamente um produtor de filme?

Acho que é bastante difícil resumir o papel de um produtor em um filme. Com base em minhas experiências, se trata do compromisso de não poupar esforços para a viabilização do projeto, de dar suporte sem suprimir a criatividade da equipe, de deixar as ferramentas disponíveis para que o filme flua, de cuidar da matemática tempo X dinheiro, e certamente de cuidar para que a equipe esteja envolvida e dedicada ao projeto sem esquecer de que estamos lidando com o fator humano.

É importante ser um artista para ser um produtor?

Não sei se artista, mas certamente um pouco mágico, malabarista, psicólogo, etc.


O que aconteceria com um filme se não houvesse um produtor?

Não haveria filme.


Na sua opinião, qual a parte mais desafiadora do seu trabalho?

Na vida de um produtor, muitas coisas são desafiadoras. Para mim, o maior desafio é conseguir chegar ao final do processo de produção satisfeito com meu próprio trabalho (sou muito crítica comigo mesma).

Você produziu a lindíssima animação que concorreu ao Oscar, “O Menino e o Mundo”! Vocês esperavam que o projeto tomasse toda essa proporção?

Nossa maior expectativa era realizar o melhor filme que conseguíssemos. Todo o resto foi realmente a coroação da dedicação, amor e talento dedicados pelos profissionais envolvidos. Acho que tivemos muita sorte de conseguir reunir tantas pessoas apaixonadas pelo projeto e sei que isso fez toda a diferença.


Qual a principal lição que você leva por ter produzido “O Menino e o Mundo”?

Que os desafios devem sempre ser vistos como algo possível de ser superado e que eu realmente ainda tenho muito o que aprender.


Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Tenho lido os sutras Coração da Prajña Paramita, eles tem me levado à reflexões sobre a vida e me feito pensar mais na pessoa que quero ser para o mundo. Tem me ajudado.

Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

“Se alguém lhe oferecer uma oportunidade incrível, mas você não tem certeza que pode fazer, diga sim e aprenda como fazer”  – Richard Branson


Poderia deixar uma mensagem para quem está querendo iniciar sua jornada na indústria do entretenimento agora?

Quem ama o que faz, faz bem o que faz. Acredite, trabalhe e se dedique que tudo vai dar certo (medo é para os perdedores).

Renan Porto

By | ICONIC Talks | 5 Comments

Nossa arte é um reflexo de nós mesmos, de nossas ideias, crenças e vontades.

A verdade é que não todo mundo que tem a coragem necessária de expor sua verdadeira essência. Não é fácil, claro. É realmente difícil tratar de temas polêmicos, como a espiritualidade, mas é mais difícil ainda não responder ao teu chamado interno de fazer algo realmente autêntico e, bom, só seu. 🙂

É com um prazer e uma honra tremenda que apresentamos o querido Renan Porto, um artista espetacular que atualmente está trabalhando em um dos projetos mais lindos que nós do ICONIC já tivemos a oportunidade de ver – o The Wide World.

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Olá mundo! Sou o Renan, ilustrador, mineiro, formado em design pela UERJ. Venho trabalhando com games mobile no exterior desde o início desse ano, mas antes disso fiz de tudo um pouco como ilustrador freelancer. Sou muito fã de storytelling, interatividade, mundos fantásticos, etc.


O seu lindíssimo projeto “The Wide World” cria uma experiência bem única pros leitores! Pode contar um pouco sobre o fato de seu livro ilustrado ser interativo e os principais motivos por detrás dessa escolha?

Eu sou muito fã de narrativas de um modo geral, então sabia que queria fazer um projeto relacionado em algum momento. A ideia eu já vinha ruminando fazia um tempo: seria uma história sobre dois mundos paralelos, que na realidade são o mesmo mundo visto por pessoas diferentes.

Esse tipo de conceito me intriga muito, porque ao mesmo que tem esse viés meio “sci-fi” (vide Matrix), também fala muito sobre questionar as próprias concepções e ser empático ao olhar do outro, que é uma coisa muito aplicável na vida.

A minha intenção inicial era fazer um livro ilustrado comum abordando esse tema. Porém um dia tive uma aula interessantíssima na faculdade sobre publicações interativas para dispositivos móveis e comecei a torrar neurônios pensando como poderia usar desses artifícios interativos para construir uma experiência narrativa única.

Foi aí que veio a ideia de embutir o conceito de “mundos paralelos” na própria estrutura narrativa do livro. A mesma história seria contada sob dois pontos de vista (ou mundos) distintos, cabendo ao leitor escolher um deles e ler uma versão diferente da história de acordo com o que escolheu.

Eu acho fantástico como a tecnologia permite reinventar maneiras muito tradicionais de fazer as coisas, como nesse caso de ter uma narrativa “dupla”, então quando tive essa idéia não pensei duas vezes antes de levar à frente.

Temos certeza que o seu projeto exigiu muito tempo, esforço e dedicação pra se tornar uma realidade. Você pensou em desistir no meio do caminho? O que te fez continuar em frente?

The Wide World foi (e ainda é, porque ainda não terminei, haha) um projeto muito desafiador, porque é um conceito de certa forma novo e portanto ainda muito imaturo e sujeito a problemas.

Demorou algum tempo até eu ter certeza que era algo viável, e houve, sim, muita dúvida. Mas o que me ajudou muito nesse sentido foi ter atrelado o projeto a uma matéria da faculdade, então toda semana eu tinha feedbacks muito precisos de professores e colegas sobre o que poderia ser melhorado, e quais poderiam ser as soluções para os problemas que surgiam.

Esse contato com pessoas foi fundamental para o conceito tomar forma.

Como é para você abordar temas mais sérios, como espiritualidade e alma?

É realmente um pouco delicado tratar desse tipo de tema, porque as pessoas se relacionam de formas muito diferentes com espiritualidade.

Nessa história (que também trata desses temas), tentei um abordagem um pouco mais ampla, evitando termos como “alma” por exemplo. Há somente um mundo dos seres visíveis, e outro mundo dos seres invisíveis, que não é necessariamente um mundo espiritual.


Qual a etapa artística que mais te dá vontade de dançar e cantar de alegria?

Acho que quando eu consigo entender o sentimento que eu quero passar com a ilustração, e a imagem vem à cabeça, é o momento que eu fico mais empolgado, porque fico muito ansioso para botar no papel.

Eventualmente a arte não sai como planejado, mas às vezes isso é positivo também.

Quais são as suas principais influências artísticas?

Dos mestres mais antigos acho que Bouguereau e Rembrandt são os que mais me inspiram, principalmente pela forma como eles lidavam com luz e contraste.

Mais tarde, quando comecei a dar um foco maior em personagens, conheci Normal Rockwell e fiquei apaixonado com a expressividade e a narrativa nas ilustrações. Dos artistas atuais, me influencio muito por Dice Tsutsumi, Fernando Peque, Alexandre Diboine, Péah, entre outros.


Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Quando era mais novo assisti um documentário chamado “Quem Somos Nós”, que foi quase que literalmente um “mindblow”, porque era tanta informação que eu lembro de ter ficado com dor de cabeça depois de assistir.

Falava basicamente sobre rompimento dos paradigmas humanos, expansão da consciência, etc.

Eu usei muito esses conceitos na minha vida prática, no sentido de questionar o que eu vivia e buscar melhorar. Um livro que eu acho incrível e que, de novo, pega esse mesmo tema do documentário, é “Mago, a ascenção”, que é um RPG, mas que é tão profundo e rico como conceito, que eu joguei pouco mas criei uma admiração enorme pela obra.

Fora isso, eu acho que Sandman foi um quadrinho que mudou muito minha maneira de enxergar as coisas.

Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Eu acho que os momentos mais difíceis são sempre aqueles em que a auto-estima não está lá muito alta, e você começa a questionar se a carreira artística foi a escolha certa, mas isso é uma coisa que acontece sazonalmente e que eu venho aprendendo a controlar. Fora isso acho que não houve um momento realmente difícil em que eu estivesse próximo de desistir.


Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

“Omnia Mutantur, Nihil Interit” ou “Tudo muda, mas nada realmente se perde”.


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Renan lá do começo, qual seria ele?

Eu acho que diria para ser mais confiante, dar menos importância aos comentários destrutivos, porque acho que, no fim, o que conta é o quanto você acredita plenamente no que está fazendo, independente das reviravoltas da vida.


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Mais ou menos o que disse na resposta anterior: acredite em si, não deixe que ninguém te convença de que sua escolha não foi a certa. Às vezes a gente cai numa rotina de baixa auto-estima, que acompanha procrastinação, vontade de se distanciar um pouco desse mundo etc mas isso é realmente ruim, porque nesses hiatos criativos você deixa de aprender e produzir muita coisa, então não se deixe abater e continue a nadar.


Facebook
facebook.com/renanportoart/

Wide World Book
thewideworldbook.com/

Júlio Cesar

By | ICONIC Talks | 6 Comments

“BOOM!” – É só isso que eu posso dizer.

O fenomenal artista Júlio Cesar tem feito bastante barulho por aí e provavelmente atualmente não tem espaço na agenda nem para ir ao banheiro. Com o seu traço limpo e apaixonante ele conquistou o mundo e agora mais do que nunca produz peças lindas de morrer.

Com vocês, Sir Júlio Cesar!

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Olá marujos e marujas, meu nome é Julio Cesar também conhecido como MZ09, sou ilustrador freelancer e character designer.


Temos a impressão de que você gosta de desenhar mulheres – só uma impressão, claro. Quando e como você desenvolveu essa preferência?

Essa preferência surgiu na puberdade (risos), naquela empolgação da juventude. 😀

Você estourou no mundo e foi lindo de ver! Pode contar um pouco sobre como isso aconteceu e o que isso trouxe de positivo pra sua vida no geral?

Nossa! Foi realmente algo muito inesperado, a proporção que o projeto “portraits” tomou. Tudo começou com uma publicação no site Bored Panda, e depois disso viralizou, o projeto saiu em vários outros sites, blogs de arte e cultura pop, como 9gag, Mtv, Kotaku, Cosmopolitan, BuzzFeed, capa do jornal holandês Dutch Metro (que chique, heim), até o ator Ashton Kutsher compartilhou o projeto na sua fanpage (acho que esse foi o mais inusitado).

O que trouxe de positivo, foi o reconhecimento do meu trabalho, uma avalanche de commissions, e fez com que minha família entendesse, que, conseguiria uma estabilidade mesmo trabalhando em casa como freelancer.

Imagino que você está atolado de pedidos de retrato! Como você lida com esse volume de oportunidades e decide quando dizer “não”?

Realmente estou atolado de pedidos, ainda não sei muito bem como lidar com isso, minha caixa de email continua lotada, não consigo responder meu inbox, muito menos as DM do Instagram.

O que eu estou fazendo é, respondendo aos poucos os emails. Tiveram alguns projetos que tive que recusar, por conta dos curtos prazos e a complexidade das ilustrações, acho que esse ta sendo o critério para dizer “não”.

Qual é o seu maior sonho enquanto artista? Já tem planos para seu futuro?

Tem tanta coisa que eu gostaria de fazer futuramente, tenho muita vontade de fazer quadrinho autoral, lançar um artbook, lançar uma série animada, e também gostaria de trabalhar mais com pintura tradicional, dominar o guache e acrílica.

Quais são as suas principais influências artísticas?

Essa é bem fácil, minhas principais influências são: Jamie Hewlett, Anna Cattish, Cory Lofts, Rayner Alencar, Glen Keane, Greg Capullo, Helen Chen e Ryan Lang.


Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

O que mudou minha vida, foi ver a edição #50 da revista Spawn. Era criança na época, minha mãe me levou na banca de jornal para comprar algum gibi da turma da Mônica, mas quando vi o traço do Greg Capullo, me apaixonei imediatamente, pois foi a primeira vez que tinha visto em um gibi de super herois, pessoas comuns, sem ter somente homens extremamente fortes e mulheres de corpos escultais. Guardo até hoje a revista. =)


Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Tenho pouco tempo que trabalho como ilustrador e character design, apenas 2 anos, acho que o momento mais difícil, foi quando decidi largar o curso de publicidade e propaganda e me dedicar inteiramente a ilustração, a minha familia não gostou muito da ideia, eles queriam que eu tivesse algum diploma, caso ser ilustrador não desse certo.

Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

“Mantenha-se sempre jovial.” ;D


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Júlio lá do começo, qual seria ele?

Acho que nenhum, tenho medo que isso causasse algum efeito borboleta. D:


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Fazer uma listinha que pode ser que ajude, mas isso varia para cada um.

  • Faça cursos
  • Tenha amigos que não falem só o que você queira ouvir
  • Faça amizade com artistas melhores que você, isso ajuda muito na sua evolução artística.
  • Não acredite na sua mãe quando ela disser que o desenho tá lindo.
  • Esteja sempre ativo nas redes sociais, postando seu trabalho e interagindo com outros artistas.

Behance
www.behance.net/mz09

Instagram
www.instagram.com/mz09art/

DeviantArt
mz09.deviantart.com/

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Rafael Zanchetin

By | ICONIC Talks | 6 Comments

Todos nós temos que estudar MUITO (muito mesmo) para chegarmos onde queremos. A verdade é que esse fato é de conhecimento comum das pessoas, mas nem tão comum assim em suas práticas diárias.

Um exemplo de artista estudioso (e extremamente competente) é o grande Rafael Zanchetin!

Com um volume insanamente insano de produção, ele provavelmente é dono de algum poder mágico para se manter firme e forte na busca constante de seus propósitos profissionais.

Foi uma honra imensa poder entrevistá-lo e conhecer um pouco mais sobre a grande pessoa que ele é. Espero que gostem, queridos marujos e marujas! ♥

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Alô! Sou Rafael Zanchetin, eterno estudante / ilustrador / artista.


Nunca vimos um artista com um volume tão absurdo de produção como você! Como você mantém essa constância fora do normal?

Haha, Valeu! Olha, foi bem difícil conseguir separar o tempo pra me dedicar só aos estudos, foram literalmente anos tentando e falhando até que chegou um momento onde eu tive de realmente parar e dizer chega que enrolação e procrastinação!

Não existiria mais “ah, semana que vem eu começo a estudar de verdade”. Mas a realidade sempre dá uma batida na porta e às vezes você tem que tirar um tempo para fazer dinheiro, se não não consegue pagar aluguel, haha.

O mais difícil é o começo mesmo, depois de um tempo vira rotina e fica até viciante.

Seus estudos de desenho – além de maravilhosos – são bem diversificados. Qual o seu critério para escolher o que de fato estudar em seguida?

Eu tento ser bastante diversificado para não cair na zona de conforto, há bastante dúvida sobre o que estudar, como estudar, mas o melhor método de descobrir é praticando, qualquer coisa que seja.

Assim você consegue assimilar onde você precisa melhorar ou o que você gosta mais. Anatomia é um bom começo – é algo que tem que se estudar pro resto da vida e que eu sempre tento fazer.

O que estudar em seguida é meio aleatório mesmo. Às vezes tenho ideias malucas e eu faço as que mais me divertem. Não gosto de ter que me forçar a fazer algo que eu não quero.

Você tem algum método específico ou meta diária de estudo?

Na verdade não muito, eu gosto de fazer até estar satisfeito, mas isso se diferencia para cada pessoa. Agora estou com bastante trabalho e não tenho estudado muito, mas eu pensei no que eu queria ser e dediquei um pouco de tempo para cada área. Como ilustrador eu tinha que estudar composição, atmosfera, texturas, anatomia, etc. Como concept artist tinha que estudar formas, objetos, culturas, como as coisas funcionam.

Muito interessante você pensar em trabalhos de mentira também, imaginando como se estivesse fazendo um card para empresa X e achando soluções para problemas que normalmente você nem sabia que existiam.

Quando você descobriu qual o seu estilo e temática principais?

Foi quando eu comecei a me divertir fazendo. Durante uns bons anos eu tentei aprender tudo e a maioria do tempo eu só tava ficando frustrado, com a internet todo mundo é bombardeado com vários estilos e artistas e isso acaba entrando na sua cabeça – “ah nossa, esse cara é muito bom, quero fazer parecido” – mas na verdade o estilo é algo diferente do seu.

Você acaba aprendendo o que filtrar e fazer só o que você realmente gosta e, como sempre, pra descobrir isso só praticando.


Você tem de vontade de trabalhar coisas totalmente fora do seu estilo/tema mas não o faz para se manter consistente?

Haha, sim! Tem várias coisas que eu gostaria de fazer mais: 3D, animação, escultura (na vida real) e pintar a óleo também. Aprendi que tenho que ir mais devagar e tentar ser bom no que estou fazendo antes do que me perder no caminho.

Quais são as suas principais influências artísticas?

Qualquer coisa saturada e estilizada! Tem tanta gente boa que é dificil de dizer.

De nomes eu poderia dizer Mr Jack, Laurel Austin, Devon Cady-Lee Sam Nielson.


Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Que mudou minha vida acho que não, já li bastante Andrew Loomis, Bridgeman entre outros livros de artistas. Consumo muitos audiobooks e podcasts quando estou desenhando, também.

Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

De fazer a transição de ter um emprego para ficar só no freelancing. E de ter que recusar alguns trabalhos para estudar.

Sempre fica aquela dúvida se vai conseguir se sustentar sem ter algo fixo, mas eu tive a sorte de ter um momento em que eu estava fazendo bastante freelance e trabalhando num escritório que a transição foi bem calma.

Depois disso foi só continuar a trabalhar bastante, e também eu sabia que para conseguir trabalhos melhores eu tinha que estudar mais, só que se eu ficasse fazendo freelance o tempo todo eu não conseguiria estudar.

Foi uma aposta que foi boa, conseguindo muitos resultados bons.


Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

Just do it! (Nike ou o outro cara lá. Só precisa fazer.)


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Rafael lá do começo, qual seria ele?

Just do it!

Haha, ter paciência e não desanimar. O importante é continuar praticando.

Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Estou me repetindo de novo, mas pratique, pratique e pratique um pouco mais!

É muito importante você achar a sua voz/estilo pessoal nessa área, ainda mais com tanta competitivade em volta. Continue praticando para achar o que você gosta e não desanime. Todos nós passamos por bons e maus momentos, mas o importante é não parar.

Artstation
www.artstation.com/artist/rafazanchetin

Sketchfab
sketchfab.com/rafazanchetin

DeviantArt
rzanchetin.deviantart.com/

Bruno Luna

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Alguns artistas conseguem imprimir sua assinatura em cada peça que fazem – esse é o caso do grande Bruno Luna, um ilustrador que tem a habilidade especial de criar atmosferas cromáticas muito particulares dele de tirar o fôlego.

É uma honra enorme poder trazer ele aqui e compartilhar com toda tripulação esse artista maravilhoso! ♥


Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Sou um ilustrador paraibano, formado em design pela UFPE e atualmente navego em águas paulistanas, onde trabalho como diretor de arte na Split Studio.

Suas cores fazem nossos olhos lagrimejarem de emoção. Existe uma lógica por trás das suas paletas ou você é guiado pela sua intuição?

Acredito que beleza se traduz no equilíbrio entre clareza e singularidade. Nesse sentido, ao estudar o círculo cromático e as possibilidades de combinação e harmonia das cores, procuro sempre formar paletas que não só transmitam a atmosfera que almejo para a ilustração, mas que também me pareçam inusitadas.

Também acho importante se manter fiel a paleta escolhida. É bem recorrente preenchermos nossos desenhos com cores minuciosamente selecionadas, mas em seguida nos desvincularmos completamente delas quando trabalhamos a iluminação, os valores ou abusamos dos filtros do Photoshop, que podem gerar resultados imprevisíveis quando usados sem perícia.

Boas surpresas também podem surgir ao longo do processo, mas é importante não deixar que isso deturpe a harmonia cromática.

Você tem um design lindo e bem particular! Como você chegou nele e quanto tempo demorou para encontrá-lo?

Ainda seguindo a mesma ideia de que beleza se traduz no equilíbrio entre clareza e singularidade, meu pensamento diante de cada desenho é o de sempre buscar a representação mais particular possível, sem obscurecer o conteúdo ou o seu significado. Algo com silhueta facilmente identificável, mas de design marcante e atrativo.

Uma charada para a percepção, pequena para não causar estranheza e desinteresse, mas suficiente para se tornar um convite a decifra-la. Como não se trata necessariamente de um estilo, mas de uma abordagem, a tentativa de surpreender o nosso repertório visual amadurece, mas não cessa e será sempre resultado de seu período.


Quais são as suas principais influências artísticas?

Hoje em dia, através da internet, não é difícil se fascinar com um novo artista a todo momento, mas alguns contemporâneos seguem nos meus favoritos faz bastante tempo: Aurélien Predal, Aymeric Kevin, Alberto Mielgo, Elle Michalka, Robert Valley, Kevin Dart e Robert Kondo.

Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

O livro Na Natureza Selvagem foi bem importante em minha passagem pela adolescência, já o filme As Bicicletas de Belleville foi decisivo para o meu amadurecimento e direcionamento artístico e profissional.


O que você diz a si mesmo quando tudo parece estar dando errado?

“Dê o seu melhor”. É muito fácil tomar decisões precipitadas em situações críticas e dificilmente existirá uma única grande resposta para esses momentos, mas você pode tentar supera-los mantendo a calma e encarando um porção do problema por vez.

Se esforçando ao máximo não haverá arrependimento, independente do resultado.

Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Em 2013 tive a oportunidade de ir trabalhar no Copa Studio, integrando a equipe de arte da série do Tromba Trem. Em apenas 15 dias precisei suspender meu curso universitário e me mudar para o Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que participei de um projeto tão grande, com o envolvimento de tantas pessoas e etapas.

A série possuía grande ambição visual e os outros artistas da equipe eram fantásticos, o que foi amedrontador no primeiro momento. Passava bastante tempo no estúdio, me dedicando ao máximo e tentando tirar o maior proveito do ambiente e dos profissionais que me rodeavam.

Foi um momento difícil, onde questionei o meu nível profissional e a qualidade do meu trabalho, mas ao mesmo tempo foi desafiador e instigante, o que me fez aprender e evoluir exponencialmente.


Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

Existe um cordel que me acompanha já faz um bom tempo, em especial a estrofe:

Menino, prepare a vida
chega de notícia ruim
esse mundo tá lotado
de quem quer chegar no fim
pois eu mesmo quero é mais
quem quiser olhe pra trás
e se esqueça lá de mim.

(Marco di Aurélio)

Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Bruno lá do começo, qual seria ele?

Tive uma trajetória inicial pouco convencional no estudo do desenho, não fiz muitos cursos, nem tive alguém que me guiasse. Fiquei muito dependente das revistinhas de desenho e dos tutoriais de internet, que podem ser ótimos materiais, mas que me fizeram pular etapas.

Me aprofundava em anatomia, pintura e iluminação sem possuir um bom desenho. Só fui me dar conta disso quando já estava cursando design na universidade, aprendendo sobre forma em aulas de Gestalt. Estudei estrutura, silhueta, linha de ação e ritmo tardiamente, então meu conselho seria: não pule etapas, estude desenho, primeiro e sempre.


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Divirta-se. A jornada não tem fim, então não postergue sua felicidade. Goste do que você faz e transforme o estudo em um hábito prazeroso. : )


tumblr: brunoluna.com

Daniela Fischer

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Não poderíamos deixar de fazer uma entrevista com nossa querida Daniela Fischer, a animadora responsável pelos loops de animação da nossa querida mascote Flora!

A Dani é uma animadora de mão cheia e atualmente trabalha em Vancouver, no Canadá. Vale muito a pena conferir lindíssimo trabalho dela e se hipnotizar com seus loops sensacionais!

Esperamos que goste! 🙂

https://vimeo.com/135981550

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureira!

Daniela Fischer, 25 anos, carioca. Me graduei em desenho industrial projeto de produto pela UFRJ, mas nunca fui boa em design de produto.

A primeira vez que tentei entrar no mercado de animação foi porque uma colega de faculdade disse que meus desenhos eram bons e eu deveria tentar. Eu sempre gostei de animação mas não fazia ideia de como fazer pra me tornar animadora. Pra mim isso era coisa que você tinha que sair do Brasil pra ser. E não fazia ideia que tinha empresa de animação no RJ.

Então, mandei portfólio para os e-mails que ela (minha colega) me deu, consegui uma entrevista e aparentemente tinham gostado dos meus desenhos e disseram que iriam entrar em contato comigo assim que o projeto começasse – o que não aconteceu, hahaha.

Comecei a trabalhar, então, com motion graphics, aprendi bastante coisa legal que remetia muito a animação, mas ainda não era animação de personagem. Enquanto trabalhava com motion graphics, procurei por cursos e encontrei o curso de animação tradicional do Evanildo na 2D Lab. Foi aí que comecei a aprender, bem do zero (desde a primeira bouncing ball). Passado dois anos (mais ou menos) teve um teste pra 2d Lab (contratando animador) mas eu não sabia Toon Boom.

Estudei um pouco de Toon Boom em casa, fui lá, fiz o teste e passei junto com um monte de gente. Trabalhei por 2 anos na 2D Lab (Chico na Ilha dos Jurubebas, Meu Amigãozão e Nautilus) onde aprendi um monte sobre Toon Boom e animação cut out. E nesse mesmo período comecei a fazer freelas (freelances) pra Koi e pro estúdio do Evanildo. Sai do estúdio, fui pra Califórnia estudar por uns 3 meses, e na CTN Expo consegui uma oferta de emprego pra outra empresa que trabalha com cut out aqui em Vancouver – a Bardel.

E estou aqui agora trabalhando em tempo integral no projeto Jake and the Pirates, pro canal do Disney Junior. E vira e mexe ainda faço uns freelas de storyboard e animação.

Suas animações 2D tradicionais são lindas! Você trabalha com mais algum gênero de animação?

Sim, animação cut out.


É possível trabalhar como animadora e ilustradora simultaneamente?

Não me considero ilustradora ainda (apesar de fazer uma ou outra ilustração pra mim ou como estudo), porque não faço isso profissionalmente ainda (leia-se, nunca fui paga pra ilustrar, hahaha). E o motivo pra isso é simples: eu ainda sinto que tenho que praticar muitos aspectos na minha animação e cada exercício de animação toma muito tempo. Então, por enquanto dou prioridade a isso. Acredito que animadores mais experientes conseguem sim conciliar e geralmente os mesmos são excelentes artistas de storyboard e de conceito de personagem.


Qual você considera ser a parte mais complicada de se criar uma animação?

Por enquanto, pra mim os aspectos mais complicados em animação de personagem são: usar diferentes timings pra diferentes partes do corpo e quando a cena tem muitos movimentos de camera complexos.

Qual parte da animação lhe dá mais satisfação em fazer e por que?

Os breakdowns. Gosto muito dos keyframes também, mas os breakdowns são como o “processo final” da primeira etapa da animação (rascunho). E neles você consegue colocar mais detalhes e mais informações no movimento. Então você enxerga a animação finalizada, apesar de ainda não ter intervalos.

Quais as maiores dificuldades que você já enfrentou como artista?

Ir com calma. Chegar a conclusão que não dá pra abraçar o mundo com as pernas por mais rápida ou eficiente que você seja. Sempre falta algo. (Mas acho que isso é algo que acontece comigo e a torcida do Flamengo, né?!)

A arte de animar exige muita paciência e dedicação. Como você faz pra não explodir e jogar tudo pro alto no dia-a-dia?

Sim, concordo. Tem que ter muito dos dois. Principalmente paciência. Mas assim, eu sempre fui uma pessoa paciente (com o trabalho) no geral. E eu gosto muito do que faço, então acho que não passo por momentos que quero jogar tudo pela janela por causa de animação.

Às vezes quero jogar tudo pela janela por outros motivos e a animação me ajuda muito nesse sentido, porque quando isso acontece eu simplesmente sento, pego uma chave de animação, faço uns intervalos e fica tudo bem. Como é um trabalho que exige muita concentração isso me ajuda a esquecer de outras preocupações. Tem gente que não gosta de intervalar ou fazer clean up porque acha um trabalho repetitivo e massante. Eu acho muito relaxante.


Se você pudesse volta no tempo e conversar com a Daniela lá do começo, o que diria pra ela?

Hm, provavelmente: “Pega leve com os freelances, porque nem todos valem a pena.” E talvez passaria uma pequena rotina/guideline de estudo. Porque é muito difícil saber como e por onde começar e tendemos a perder muito tempo tentando descobrir.

Teremos o prazer de ver algum curta-metragem seu ou qualquer projeto do gênero no futuro? <3

Poxa, por enquanto to me concentrando apenas nos pequenos GIF’s de animação. Fazer curta envolve outros aspectos que preciso e quero muito aprender! Quem sabe no futuro. 🙂


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada artística agora?

Bem, falando em termos práticos: Mesmo que o mercado de animação agora seja “cut out“, “Toon Boom“, “Flash” , aprender a animação tradicionalmente. Uma vez feito isso você vai entender que animação cut out surgiu só pra cortar um pouco do trabalho e das etapas de clean up e intervalação.
Se está começando do zero mesmo, faz o basicão: boucing ball, pega uns keyframes e chaves de animação na internet e tenta fazer os intervalos, treina timing e spacing usando um quadradinho se deslocando, exercício de follow (bota um rabinho na bouncing ball).

Depois pula pra walk cycle, personagem pegando peso e etc. NÃO VAI DIRETO PRO CICLO DE CAMINHADA! Não pula etapa. Se você nunca animou na vida a caminhada vai ficar ruim e você desanimado.

Faz aula de modelo vivo e um pouquinho de anatomia porque ajuda muito a melhorar o pensamento em como resolver suas poses. Desenho gestual também. Começa em casa praticando através de fotos e cronometrando o tempo e depois vai pra rua fazer gesture de pessoas (o que é muito mais difícil).

Acho que com isso já dá pra começar e gastar uns bons 2 anos. Seja feliz!


Tumblr
fischer-dani.tumblr.com

Vimeo
vimeo.com/danifischer

Rayner Alencar

By | ICONIC Talks | No Comments

Você já reparou como nossa mascote, a Flora, é linda e sensacional? ♥

Pois é, para produzir nossa querida mosqueteira escolhemos um guerreiro a dedo para a missão: Sir Rayner Alencar.

Depois dele ouvir nossa cantiga de súplica 3 vezes em sequência e ter devorado nossa bandeja de biscoitos recheados, o nobre concept artist aceitou a grande tarefa de transpor nosso espírito em um personagem. E hoje temos o orgulho de compartilhar uma breve entrevista que fizemos com esse fabuloso artista brasileiro com nome de estrangeiro! 🙂

Aproveite!

Quem és tu, bravo aventureiro?

Olá companheiros aventureiros, meu nome é Rayner Alencar, ilustrador freelancer, atuando principalmente na área de character design e ilustração voltada para o público infantil.


Por onde geralmente você começa o design de um personagem?

Primeiro passo é pensar na personalidade do personagem. Da personalidade eu sigo pra composição por meio de formas básicas tentando passar a ideia do personagem para o campo visual.

Seus designs têm muita personalidade – qual você considera ser o aspecto mais importante de um personagem bem sucedido?

Ilustração é uma linguagem, uma forma de passar uma mensagem, ideia ou sentimento. Um personagem bem sucedido pra mim é o que, acima de qualquer outra coisa, transmita o que foi proposto para quem está vendo.


Se você pudesse magicamente roubar as habilidades de um artista pra você, qual artista seria esse e por quê?

Putz, acho que essa é difícil pra todo mundo. Dificilmente tem só um master, então vou listar meu top 5: Hayao Miyazaki, Carter Goodrich, Koji Morimoto, Nicolas Marlet e Headless Studio.


Quais são suas principais influências? (Artísticas, musicais, filosóficas, …)

Acho que a pergunta anterior responde quase que completamente essa. De tudo que eu conheço, o que mais me inspira e faz brilhar os olhos é animação. Eu sempre vejo, babo e tento aprender um pouco com todas as que eu vejo.

Em geral, como funciona sua rotina?

Não tenho uma rotina pré-definida – quando as circunstâncias mudam, a rotina muda. E como eu sou freelancer, está sempre mudando.

Qual foi o momento mais difícil da sua jornada como artista e como você o superou?

Acho que foi há alguns anos, me deparei com muitos serviços ruins, um atrás do outro, a minha paciência acabou completamente e eu fiquei um tempo sem desenhar. Mas se você já leu sobre a Jornada do Herói, vai lembrar do momento de negação “A Recusa do Herói”, acho que hoje estou na fase das “Provas”.

Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Rayner lá do começo, qual seria ele?

Se eu pudesse deixar uma mensagem pro Rayner do passado seria: “Tudo vai dar certo, de uma forma ou de outra.”


Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

Pra galera que está começando sua jornada Pokémon agora, eu vou ter que ser cliché.

Prática, prática, prática, não adianta querer ser bom sem dedicar uma boa parte do seu tempo a aprender. Paciência durante essa prática, cada um tem seu tempo e se comparar de mais com outros artistas pode ser maléfico.

Compartilhe o que você aprendeu com quem sabe menos, quando todo mundo se ajuda a gente cresce mais rápido. Brushes não são tão importantes quanto você acha que são, busque solidificar sua base em desenho antes de querer se aprofundar em pintura digital, se divirta enquanto trabalha, ou não fará sentido estar desenhando.

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