Hugo Richard é um ilustrador e concept artist absurdamente competente e dedicado que temos a honra de ter por perto em nossas vidas.

Com composições, temas e designs muito originais o trabalho de Hugo é uma grande referência e fonte de inspiração para quem almeja um dia trabalhar com jogos e cinema.

Prepare-se para falar “Caramba!” e aproveite! ♥

Diga ao meu mundo quem tu és, nobre aventureiro!

Olá pessoal, meu nome é Hugo Richard, sou ilustrador e concept artist para jogos e animações (filmes) há quase três anos, porém a cada dia me volto mais para o mundo dos jogos que é de fato uma área que quero permanecer.


Qual você considera ser a etapa mais importante de um trabalho – o sketch, a pintura, a história, a quantia de pixels que te fazem escorrer uma lágrima do olho ou outra coisa?

No meu caso, eu descobri que meu processo flui muito mais a partir da linha, então tendo um processo mais linear, o sketch é de fato uma base muito importante para qualquer coisa que eu venha desenvolver. Porém, quando estou fazendo trabalhos pessoais e coisas do tipo, costumo testar outras formas de começar algo, como por exemplo: usar shapes para poder definir algo, ou grandes strokes para definir uma silhueta. Isso depende bastante do momento.

Quais geralmente são os seus passos para a construção de uma ilustração ou concept?

O primeiro passo de todos é bolar a ilustração na mente e anotar pontos importantes que vão deixá-la mais característica. Depois disso, vem a parte de conceituação de thumbnails – nesse processo eu geralmente uso um hardbrush e trabalho com 3 tons diferentes para poder ver melhor a composição e o storytelling da cena.

Segundo passo é a parte de linha e color rough (que para mim é bem divertido). Gosto de perder um tempo desenvolvendo a linha da minha ilustração, pois de fato isso é meu guia para poder finalizá-la. Depois que tenho isso pronto, vou fazer 3 opções coloridas para ver qual me agrada mais, mas às vezes já tenho tudo pronto na mente, então eu vou fazendo e mudando de acordo com o processo.

E por fim, vem o render e efeitos que geralmente tomam bastante tempo. Então eu não me preocupo em terminar logo, mas entregar algo satisfatório tanto para mim quanto para o cliente.


Como você decide qual será a dinâmica da ilustração (composição, movimento, etc.) e como a história que você quer contar influencia nessa decisão?

Como havia dito na questão anterior, eu curto pensar como vai ficar no resultado final (apesar de nunca ficar igual ao que eu imaginei) e, depois disso, ver coisas que me inspiram para poder criar algo que realmente possa chamar a atenção de todos (isso inclui uma imagem com uma boa iluminação, uma cena de filme, uma luta ou coisas do tipo).

Você tem uma dica de ouro para quem busca estudar desenho com mais efetividade?

Nunca achar que você já fez o suficiente, pois certamente você não fez! Ter esse pensamento me ajuda a entender o quanto eu ainda preciso estudar para avançar em algo diferente dos demais artistas. Uma visão única, um estilo único, uma identidade visual que após muito estudo e entendimento eu possa gerar algo diferente.


Quais são as suas principais influências artísticas?

Difícil, eu tenho muitas. Mas posso falar alguns que me vem à cabeça de imediato que são Mike Azevedo, Even Ahmudsen, Rael Lyra, Faraz Shanyar, Alexander Zedig, Victor Quaresma, Sergio Toppi, Jana Schirmer, Giselle Almeida e muitos outros. Hahaha, eu tenho uma pasta de inspiração com todos eles!

Você tem algum livro, filme ou filosofia que mudou sua vida?

Não necessariamente, eu acho que sempre quis desenhar. Depois que eu descobri que podia seguir a vida fazendo isso, eu não parei mais. Eu não me lembro de nenhum livro ou filme que tenha me feito pensar de uma maneira diferente. Mas gosto de ver coisas que me motivem a nunca desistir, pois por mais difícil que sejam as coisas para você, vai chegar uma hora em que vai dar certo. Uma frase que eu lembro que me fez mudar o pensamento sobre tudo, e isso me ajudou muito nas horas ruins do artista é que “o problema está mais na sua cabeça do que no seu corpo”, e isso me fez entender muitas das coisas que eu vinha passando no decorrer da minha jornada para se tornar um artista.


Qual foi o momento mais difícil de sua jornada artística e como você o superou?

Muitos de meus amigos falam que os pais não os apoiavam muito, pois pensavam que não iria dar certo e tudo mais. Eu comecei a desenhar mangá aos 14 anos com o apoio dos meus pais, eles não sabiam se iria dar certo ou não, mas mesmo assim me apoiaram. Depois de 4 anos desenhando mangá e desenvolvendo minha própria história, percebi que estava indo por um caminho que nem eu sabia se iria dar certo ou não. Chegou um momento em que depois de muitos momentos difíceis e ruins, eu parei de desenhar mangá e não sabia muito o que fazer, tive que começar a trabalhar para poder ajudar em casa, comprar minhas coisas e ainda estudava no ensino médio. De fato esse foi um momento bem complexo pois eu não sabia por onde seguir.

Depois de um tempo, um grande amigo me mostrou um vídeo da falecida Seagulls Fly onde tinham várias animações e coisas relacionadas a concept art e tudo mais, então eu comecei a me interessar pela parte de criação e tudo mais. Precisei começar a estudar do zero novamente, desde anatomia básica até perspectiva e tudo mais (continuo estudando todas essas coisas), então depois de 1 ano estudando todos os dias sem parar eu comecei a trabalhar no mercado como ilustrador e concept artist.

Qual a sua frase favorita? (Seja ela motivacional, humorística, sem-sentido, etc.)

O problema está mais na sua cabeça do que no seu corpo”


Se você pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o Hugo lá do começo, qual seria ele?

Acho que seria para ele “pensar menos e fazer mais”. Como artista, eu tinha esse defeito de pensar demais na parte ruim e não acreditar na parte boa das coisas, e dizer que tudo vai dar certo, não importa o quão difícil as coisas vão parecer, hahaha! VAI DAR CERTO!

Poderia deixar uma mensagem para quem está iniciando sua jornada agora?

VAI DAR CERTO!
Parece um bicho de sete cabeças (mas de fato é), porém se você é o tipo de pessoa que não liga muito para o que as pessoas falam e segue seu próprio coração, você está no caminho certo. Se eu cheguei até aqui hoje é porque ouvi eu mesmo dizendo que, mediante à todas as coisas ruins que poderiam vir em minha jornada, eu iria dar um jeito de fazer acontecer.

Então não deixem ninguém desmerecer aquilo que você faz só porque essa pessoa não entende o seu trabalho. Faça o seu melhor e mostre que com muita persistência e força você pode ser alguém muito melhor fazendo o que você curte fazer.


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